

O tempo registrado por Gregório era o ano da graça de "mil novecentos e oitenta e um". Estando eu pelas margens do rio de Contas, em Poeri Bahia; um certo sujeito letrado me fez compreender que: "Sob pressão da urgência jamais se produzirá algo que possa resistir à prova do saber, do gosto e do tempo". O tempo rolou e somente agora no ano da graça de "dois mil e vinte cinco", no fim de agosto, resolvi codelizar o tal pensamento denominado: Sob Pressão.(Ton Poesia)
SOB PRESSÃO
1.Sob a pressa e na urgência,Não se alcança a perfeição,Pois a obra que resistePrecisa calma e paixão.Só assim se eterniza,Na memória e na visão.2.Quem corre só pela pressaNão deixa marca no chão,É preciso ter cuidado,Trabalho, amor, atenção,Pra que o tempo confirmeA grandeza da criação.3.O saber dá resistência,O gosto dá direção,E só o tempo é juizQue faz jus à consagração,Separando o que é efêmeroDo que vira tradição4.O poeta que se apressaNão sustenta a criação,Pois lhe falta a paciênciaDe lapidar cada mão;A palavra vira sombra,Sem raiz, sem coração,Desaparece ao clarão.5.Quem planta com cuidadoVê a semente crescer,O saber é como aduboQue faz a flor florescer;E o gosto é a fragrânciaQue o leitor vai perceber,Quando o tempo responder.6.Assim nasce a obra firme,Que não teme a ventania,Nem se curva às exigênciasDe uma falsa valentia;Ela guarda em sua essênciaMais que brilho ou alegria,Traz em si sabedoria.7.Sob pressão da urgênciaNão se cria a boa semente,Pois a obra que é apressadaLogo cai, morre demente.Pra durar em chão profundoÉ preciso amor no mundo,E trabalho persistente.8.Jamais se produziráNo calor da correria,Algo firme, que resistaAo crivo da sabedoria.Só quem planta com cuidado,Colhe fruto abençoadoNa seara da poesia.9.O saber pede paciência,O gosto pede atenção,E o tempo é quem confirmaSe a obra tem coração.Só resiste a ventaniaQuem constrói com maestriaFeito templo e oração.10.O tempo é juiz supremo,Não aceita bajulação,Ele mede cada obraCom rigor e precisão.Só mantém na eternidadeQuem constrói com verdade,Com raiz no coração.11.Muita coisa se levantaFeita apenas por vaidade,Brilha forte por um diaE depois cai na metade.Mas aquilo que é sincero,Mesmo simples e austero,Vira luz, vira saudade.12.Não é na pressa do mundoQue a grande arte floresce,É no silêncio fecundoQue a essência aparece.Quem trabalha com carinhoFaz do sonho um caminhoQue jamais se desfalece.13.Assim a vida nos mostraQue a urgência é passageira,Mas a obra bem forjadaÉ durável e certeira.Ela fica como um canto,Ecoando por todo o tanto,Na memória brasileira.Ton Poesia
Enviado por Ton Poesia em 28/08/2025
Alterado em 22/12/2025 Comentários
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