

MÉTRICA, RIMA E ORAÇAO1.Tem três regras o cordel,Que guiam todo poeta:Rima, métrica e oração,Cada qual tem sua aresta.Se o poeta as segue bem,Sua obra fica completaE a escrita lhe convém.2.Ha três regras no cordel,Que o poeta não dispensaA rima dá o encanto,A métrica é a cadência,A oração traz o sentido,Faz do verso bom abrigo,Com beleza e coerência.3.A rima é o casamentoDas palavras no final,Ela dá ritmo e beleza,Um encanto natural.Se for rica e bem usada,Faz do verso um festivalDuma beleza encantada.4.Rima é o acasalamentoDo formal com informalSe encaixa como ternura,Deixa o verso musical,Dá sabor e alegria,Dá perfume e poesia,Dá um brilho sem igual.5.A métrica é a medida,Contar sílabas do pé,Seis, sete ou oito em linha,Como o cordel sempre quer.É a música escondidaNa cadência de quem lêA palavra proferida.6.A métrica é medida,Conta o passo do poema,Seis, sete ou oito em linha,Seguir certo é o sistema.Se errar fica travado,Se acertar é afinado,Feito música sem gema.7.Já a oração do versoÉ ter sentido e saber,Pois de nada vale a rimaSe não faz compreender.É preciso ter clarezaPra quem lê, poder relerAdquirindo mais saber.8.Oração é a mente,Que conduz toda a canção,Não se perde em fantasias,Segue firme a direção.Se a ideia é bem clara,O cordel logo disparaCom firmeza e precisão.9.Assim o cordel se ergue,Com firmeza e tradição,Feito em rima e em medida,Na força da oração.Quem aprende essa receitaVai longe na criaçãoSem cair pela sarjeta.10.Por isso o poeta aprendeA rimar com disciplina,A medir sem tropeçar,A dar ordem na rotina.Com as regras na mão,Faz-se arte e tradição,Que no tempo se destina.A sétilha: sete versos a rimar,Na cadência ensina a escutar.A setilha faz som se amarrar:E na memória se eternizar.A rima sim, é lei que enfeitaRima conduz o pensamentoSustentando como leite.A métrica governa o cantar,Sete sílabas a se declamar.Mas quando o poeta sobeE quer mais fôlego no ar,Busca no verso mais nobreFazer a fala se conectarPara melhor se pronunciar!Decassílabo degrau elevado,Dez sílabas bem contadas,Verso firmes e consagrados.Foi Camões quem os coroouNo seu épico bem lapidado,E no cordel ele se transformaNum Instrumento refinado.Cordel é a voz da memória,É o maior jornal do sertão,Conta amor, conta desgraça,Conta Política e ate religião.Ensina sempre sem dar lição,Critica com logica e precisão,Escola sem lápis, nem chao!Cordel é jornal e arquivo,Crônica da realidade social;Fala de seca, fala da chuvaQue move o sertão material.É protesto, fé, riso e prantoÉ denúncia em ritmo acalantoEnsina com amoe eencanto!A xilogravura veste o texto,Talhada em madeira bruta;Não é enfeite é expresso,Linguagem que disputa.Figura e verso do contextoOnde o olhar aprende escuta;Cordel é verbo e memória.AGORA É VEZ DA QUINTILHAQuintilha é verso em cinco,Bem rimado e popular,No cordel tem compromissoCom o ritmo a pulsar,Pra ensinar ou provocar.Tem sete sílabas certasCada verso ao caminhar,O segundo chama o terceiro,O quinto vem completar,Pra o ouvido respeitar.É forma simples e forte,Boa pra explicação,Crítica, fé ou protestoSaído do coração,Sem perder a tradição.No cordel, a quintilhaÉ lição bem temperada,Nem longa ou curta demais,É palavra bem dosadaNa voz da moça e do rapaz.
SOBRE AS REDONDILHASChama-se redondilhaO verso curto e certeiro,Contando sílabas métricasNo compasso verdadeiro;Não é letra jogada,Tem regra desde o primeiro.
A redondilha menorTem cinco sílabas só,É ligeira, é apressada,Corre solta igual cipó;Muito usada em cantigasQue o povo guarda em xodó.Veja um verso bem contado,Pra ninguém se confundir:“Deus é luz no meu caminho”Se contar, pode conferir:Cinco sílabas exatasPra cantar ou pra sorrir.Já a redondilha maiorSobe um ponto na lição:São sete sílabas métricasMarcando a pulsação;É rainha do cordel,Da trova e da canção.Exemplo bem conhecidoQue o povo sempre falou:“Minha terra tem palmeiras”Castro Alves consagrou;Sete sílabas contadas,A métrica confirmou.A menor é mais ligeira,Boa pra canto infantil;A maior é mais robusta,Tem peso forte e sutil;Uma corre, outra sustentaO verso firme e febril.No cordel nordestinoA maior manda geral,Sextilha, setilha e quadraVivem dela no total;Sem redondilha maiorNão há cordel tradicional.Mas quem domina as duasTem poder na criação:Joga curto, joga longo,Muda o tom da narração;Quem sabe contar sílabaNunca perde a direção.
Ton Poesia
Enviado por Ton Poesia em 01/09/2025
Alterado em 24/12/2025 Comentários
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