Título do Site

Frase preferida, slogan, frase de efeito

Textos


O CALENDÁRIO DA ILUSÃO CORDEL ☆

1.No princípio o tempo era um mistério,

Luz e sombra guiavam cada operário,

Cada tribo marcava seu horário,

Pela lua, e pela sombra do imaginário,

Mas o homem criou seu relicário,

Pra medir o que o vento faz passar,

E o relógio começou a tiquetaquear,

Na ampulheta do tempo divino,

Desde Roma, do Oriente e de Judá,

Corre o tempo, em galope à beira-mar!

 

 

2.Judá, com seu povo sagrado,

Fez do tempo um milagre contado,

Cada mês pela lua era guiado,

Mas o sol também é relembrado,

Um calendário duplo e encantado,

Que equilibra o plantar e o colher

Da colheita ao jejum e do rezar,

Equinócio canta o começo do ano,

E o Cristo purifica o ser humano,

Com o tempo, galopante a beira mar!

 

 

3.Cada povo constrói sua lida,

Seu relógio sua própria partida,

Pois o tempo é a veia da vida,

É caminho de saudade e de ferida,

É lembrança de luta já vencida,

É mistério que vem nos revelar,

Que ninguém pode o tempo parar,

Nem o sábio, nem rei, ou o profeta,

Pois o tempo é a grande caneta,

Que escreve galopando à beira mar!

 

 

4.O tempo era medido pela lua,

Para o mês poder se calcular,

Vinte e oito luas por cada ciclo,

Dez meses pra se contabilizar;

Quando o sol, ameno do equinócio,

Vinha a linha do Equador iluminar:

Mudava-se de velho, para o ano novo,

Sem papa nenhum pra decretar.

Tudo corria muitíssimo bem,

Como, num galope a beira mar!

 

 

5.Mas eis que o rei Numa Pompílio

Por se só resolveu improvisar,

Sucedendo ao criminoso Rômulo,

Ele quis tudo destrambelhar

Criou janeiro criou fevereiro,

E o dez virou doze, numa canetada secular.

Dezembro que é o mês dez,

virou mês doze, sem logica no explicar,

E começou a bagunça feroz, estonteante...

Por trilhas escuras dum galope a beira mar.

 

 

6.Em quarenta e cinco antes de Cristo

Lá vem César com poder imperial:

Chamou Sosígenes, o sábio do Egito,

Mudou o relógio do nosso mundo real,

O tempo que antes seguia a lua,

Virou calendário solar descomunal,

E o povo aceitou sem ter questionado,

O contratempo romano virou normal,

Mas tempo é mistério, ninguém o pode parar

Nem mesmo o Império, que galopa a beira mar.

 

 

7.Julio César, regente do Império,

Fez do ano um regato desnecessário,

Com Sosígenes, o seu sábio lendário,

Fez surgir novo, calendário ordinário,

Como o cálculo ficou muito precário,

Lá no equinócio tentaram se ajustar,

Veio o Papa, querendo emendar,

Com Gregório, a conta divina,

Fez o sol reinar sobre a campina,

E o tempo galopante, pela beira do mar.

 

 

8.Antes do papa, veio outro manipular,

E no trono romano voltou a comandar,

Foi Constantino com sua coroa,

Que fez o domingo oficializar,

Disse o decreto, com voz de martelo:

No dia do sol iremos todos descansar...

E a primeira-feira sumiu do mapa,

A ordem do céu quis ele mudar,

E o povo o seguiu, sem querer questionar,

Sempre galopando na beira do mar.

 

 

9. Em 1582 Gregório mais criou desordem,

Cortou dias de um mês, fez novos acordos,

Fez de outubro um imbróglio tosco:

Onde o tempo navega pelas asas do engodo.

Mas o Oriente seguiu-se outro acordo,

Pela lua a contar cada dia o seu luar,

Cada ciclo, a nascer e a voltar,

Nos tambores da China distante, secular:

O dragão marca seu tempo intrigante,

Noutra contagem galopante, pela beira do mar!

 

 

10.É justamente, no tempo dos papas,

Que Gregório Treze quis reorganizar,

O sol e a lua estavam confusos

Com o ano Juliano a se desalinhar,

Dez dias sumiram num decreto,

De quatro pra quinze, sem se explicar,

E quem dormiu dia quatro de outubro,

Acordou no dia quinze sem se atrasar,

Aqui, tempo dançou conforme a batuta,

De quem galopou pela beira do mar.

 

 

11.E eu fico pensando, poeta das ruas,

Que tempo é esse que querem nos ditar?

Se o homem que adianta o ponteiro do mundo,

É o mesmo que o pode fazer atrasar...

Será que é domingo, será que é segunda,

Ou tudo é um modo de nos enganar?

Talvez o presente nem mesmo exista,

Quem sabe o futuro nunca irá chegar,

Pois tempo é invenção, miragem humana,

Um sonho galopante pela beira do mar.

 

 

12.Por isso eu declamo com voz sertaneja,

No ritmo bravo do meu cantar:

Não creio no tempo, dos reis nem dos papas,

Nem no calendário que vem do altar!

O tempo é como vento, que sopra e se perde,

É o sol que se põe, sobre montes a bailar,

Enquanto os relógios mentem pro homem,

A vida se ri, sem se atrasar,

Pois tempo é segredo do eterno mistério,

Que no verso galopa pela beira do mar!

 

 

13.Depois outro golpe: foi o seguinte:

O trono romano voltou a mandar,

Foi Constantino com sua coroa,

Que fez o domingo oficializar,

Disse o decreto, com voz de martelo:

No dia do Sol, vamos descansar!

E a primeira-feira sumiu do mapa,

A ordem do céu quis ele mudar,

E o povo seguiu o poder da Igreja,

Como jumentos que seguem pela beira do mar!

 

 

14.Mais adiante, no tempo dos papas,

Gregório Treze, voltou atacar.

O sol e a lua estavam confusos,

O ano Juliano a se desalinhar,

Dez dias sumiram num simples decreto,

De quatro pra quinze, sem se explicar,

E quem dormiu dia quatro de outubro,

Acordou no dia quinze, sem se atrasar...

O tempo dançou conforme a batuta,

Dum imperador a vagar, pela beira do mar.

 

 

15.E eu fico pensando, poeta das ruas,

Que tempo é esse que querem ditar?

Se o homem que adianta o ponteiro do mundo,

É o mesmo que, o pode atrasar!

Será que é domingo, será que é segunda,

Ou tudo é um modo de nos engabelar?

Talvez o presente nem mesmo exista

Quem sabe o futuro, nem possa chegar.

Pois tempo é invenção, miragem humana,

Um sonho galopante pela beira do mar.

 

 

16.Por isso eu declamo com voz sertaneja,

No ritmo bravo do meu, filosófico cantar:

Não creio no tempo do rei nem menos do papa,

Nem no calendário que vem do altar...

O tempo é como vento que sopra e se perde,

É o sol que se põe, e o mar, no seu balançar,

Enquanto os relógios mentem pro homem,

A vida se ri, sem se atrasar,

Pois tempo é segredo do eterno mistério,

Como no verso rimado, pela beira do mar.

 

 

17.Assim sendo, meu grande irmão,

Que vive por aí, sempre a proclamar:

Que hoje é sábado, ou é domingo,

Dia de trabalhar, ou do descansar...

Depois de tantas, más interferências,

Ninguém mais o pode, reafirmar:

Que ontem foi quinta ou foi sexta feira,

E nem em que ano, estamos a passar,

Nos fizeram ignorantes sem eira nem beira,

Sem alcançar, a onda real, pela beira do mar!

 

 

18.Hoje, agora mesmo, aqui nesse lugar:

No calendário tem números, a se confirmar,

Qual é o dia, Gregório de hoje

Que insistem assim, em se afirmar?

Não sei se é terça, ou se é segunda feira

Ou se é o sábado, dia do descansar.

Talvez vivamos noutro dia, tão velado,

Difícil, que ninguém pode explicar.

Depois de tanto adulterar, corre sempre a dúvida:

Pelo calendário de fumaça, estendido ao mar!

 

 

19.Se alguém, quiser me provar,

Pode vir com a lógica, pro seu argumentar,

Quero que destruam, minha tese filosofar,

Prometo aqui, serenamente apreciar!

Mas se não houver, clara certeza,

E o tempo for, meramente o de enganar,

Sou um poeta que duvida, e vai investigar...

Esse tempo que passa veloz sem parar.

Entra ano e sai ano, e o tempo a voar.

Com golpes enganotários pela beira do mar...

 

O CALENDARIO DA ILUSAO EM PROSA

 

 

  Nos tempos idos antes do Império Romano, Rômulo após ter matado Remo seu irmao gemeo, fundou a cidade em 21 de abril de 753 a.C. e tornou-se seu primeiro rei, dando o nome de Roma à cidade em sua própria homenagem. Nesse tempo era pela lua que se contabilizava os dez meses de vinte e oito luas cada mês que formavam um ano. A mudança do ano era percebida no equinócio quando o sol ilumina a Terra de forma que os raios solares incidem diretamente sobre a Linha do Equador. 

 

  Já no provavel ano de 716 a.C. O Rei Numa Pompilio o segundo a Roma governar. Sucedendo a Rômulo esse rei teve a petulância de criar seu próprio calendário. Foi esse sujeito que criou os meses de janeiro e de fevereiro. Dezembro é dez, novembro é nove, outubro é oito. Porquê doze meses? Doze meses por causa de janeiro e fevereiro.

 

 Já em 45 a.C Julio César, passou a governar. Era o Imperio Romano, nao mais apenas sobre Roma, mas, sobre o mundo a comandar. Júlio César novamente alterou o calendário romano introduzindo agora o calendário juliano, que estabeleceu um ano com 365 dias e um ano bissexto a cada quatro anos. o novo sistema entrou em vigor em 1º de janeiro de 45 a.C. 

 

   Em 325 o Imperador Constantino cria o dia de domingo em adoração a Invictus, o deus sol. Por um decreto afirmou o Imperador: "Doravante todos os juizes e todos os artesãos descansem no veneravel dia do sol o dia de domingo.

 

 Nos tempos dos papas o Gregório XIII aprofundou o mais o fosso do adulterio ao remover 10 dias de outubro de 1582 (do dia 5 ao 14) para corrigir o acúmulo de erro do calendário juliano. A mudança estabeleceu o calendário gregoriano, que é o que usamos hoje. Motivo: O calendário juliano estava cerca de 10 dias adiantado em relação ao ano solar, causando um descompasso que afetava a data das festas religiosas, como a Páscoa. O ajuste: Em 4 de outubro de 1582, o dia 5 de outubro simplesmente não existiu, e o dia seguinte foi o 15 de outubro, conforme a bula papal Inter Gravissimas.

 

 Justamente as 8h39 desse dia de hoje denominado por Gregorio de terça-feira, 4 de novembro de 2025 conforme o seu calendário. Ninguém me pode afirmar que a data acima esteja correta. É impossível que alguém saiba de fato, que dia é esse dia de hoje. Ou seja: hoje é terça ou é segunda ou é quarta ou é quinta ou é a primeira - feira que o satanista Gregório chamou de domingo.

 

   Contudo, caro leitor, se voce puder destruir minha tese; terei imensa satisfação em apreciar seus comentários e ou, até, quem sabe, mudar o meu pensamento.

Fique à vontade...

 

 

Ton Poesia

 

 

 

 

Ton Poesia
Enviado por Ton Poesia em 02/12/2025
Alterado em 02/01/2026


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras