

O RAIO E O HOMEM
Não foi sonho nem foi delírio imaginado, Ceu ficou claro noite em instante iluminado, Quando o raio fez um pergaminho rasgado O sujeito, em silêncio, foi por ele interrogado. Raio não pede acao nem consulta a previsão, Ele cai como sentença que atravessa a razão, Mas só é fato quando encontra percepção Num espírito desperto que decifra a ocasião. Muitos tiveram medo, só o grito da explosão, Outros viram só a luz sem nenhuma reflexão,
Mas um homem viu o signo além da vibração E encontrou no raio bruto uma lição de visão. Porque ver não é olhar, é pensar o que se viu, É ligar o céu e a terra num instante juvenil, Encontrar um raio desses é mudar o que foi, Mundo se requalifica quando mente evoluiu. Raio é verbo sem a gramática e sem manual, Conceito que não cabe no discurso habitual, Só entende o seu sentido quem é intelectual Pra romper com o costume e enfrentar o real.
Não se vê um raio posto a venda em balcão, Ele vive na memória como afiada instrução, É uma lâmina lapidando a compreensão De quem troca cegueira por severa atenção. Depois, esse sujeito caminha diferenciado, Já não pisa o chao com passo acomodado, Cada coisa que ele vê vira texto analisado, Quem viu cair um raio foi por ele educado. Raio ensina que saber não é busca devagar, Cai como rocha em quem ousa interpretar.
Ton Poesia
Enviado por Ton Poesia em 25/12/2025
Alterado em 20/01/2026 Comentários
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